quinta-feira, 7 de abril de 2016

Passarinho na prisão; abra a gaiola, deixe voar

O costume de criar aves em gaiolas tem profundas raízes históricas. Depois que Pedro Alves Cabral desembarcou em terras além-mar, muita coisa foi retirada do solo brasileiro. Pássaros exóticos estavam na lista da cobiça europeia.

Na extinta feitoria de Cabo Frio, erguida onde hoje é o litoral fluminense, ainda nos primeiros anos da "descoberta portuguesa", muita riqueza natural foi retirada de terras brasileiras. Pau-brasil foi um dos itens da cobiça, mas não o único.

Em segundo lugar na escala de produtos naturais embarcados, achavam-se os papagaios - aves cobiçadas pelos europeus. Os psitacídeos se tornavam animal de estimação, tanto pelo exótico colorido quanto pela particular capacidade de imitar a voz humana.

Uma característica do período colonial, naquilo que pode ser considerado como o início do tráfico de animais silvestres brasileiros, é que papagaios que eram ensinados a falar o tupi, tinham muito mais valor para os europeus.

DESASTRE
Alguns séculos mais tarde, a prática de aprisionar aves se mostrou desastrosa para a fauna local. Na região de Araçatuba, em 2015, o costume de aprisionar passarinho culminou com o recolhimento de 470 canários-da-terra, 117 periquitões-maracanã e 114 coleirinhos-papa-capim pela Polícia Ambiental.

A lista de aves apreendidas por terem sido retiradas sem autorização da natureza é ainda maior. Mas, além do tráfico de animais silvestres, chama a atenção que, em pleno século 21, existam brechas legais para se ter um passarinho dentro da gaiola.

A notícia mais comentada no blog Nossa Terra é: Pergunta: como posso regularizar meu papagaio? (Leia aqui). Quem quiser, pode ver alguns trechos postados por internautas, a fim de que possa entender como pegar um passarinho na natureza pode gerar muita dor de cabeça.

FALSA IDEIA
É necessário combater, com educação ambiental, a falsa ideia de que há maneiras de criar passarinho garantindo bem-estar para o exemplar. Isso é mito. Por mais que o espaço seja amplo e a ração seja de primeira, não se pode apagar o lado "selvagem" da espécie.

Aprisionar um ser vivo dentro de um cubículo, além de comprometer todo um ecossistema, mostra o quanto a espécie humana anda desalinhada com o planeta. O egoísmo de querer guardar para si o canto de uma ave não condiz com o planeta que queremos para as próximas gerações. Abra a gaiola. Deixe voar.

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